sábado, 12 de setembro de 2009

Cecília também é noveleira


Quando ainda não tinha descoberto o maravilhoso mundo dos seriados, eu era noveleira. Fazia minha lição de casa assistindo a das seis, a das sete, e eventualmente a das 8. Novelas como "A Próxima Vítima" marcaram minha infância e adolescência - jamais me esquecerei do Antônio Pitanga caindo daquele poço de elevador.

Mas foi somente em "Da cor do pecado" que o bicho pegou. Quando dei por mim, estava aos prantos com a morte do Vô Afonso e sofria junto a Preta, que corria atrás do Paco Lambertini enlouquecida enquanto se tornava vítima das arapucas de Bárbara e seu comparsa, Tony, a quem carinhosamente apelidei de "Coração". Também aderi aos bordões da novela, como "pepeô" e "cansei de ilusões", os quais utilizo até hoje.

Ainda assim, não posso me considerar uma noveleira de plantão. Como a faculdade é de noite, acabo perdendo grande parte das novelas e, por isso, só as aproveito durante as férias, quando geralmente é tarde demais para saber alguma coisa. Desse modo, desde julho, me viciei em "Caminho das Índias", mesmo já tendo perdido mais que a metade da trama.

Muito se fala de novelas, de como são manipuladoras, que tudo não passa de modinha. Ok, até um ponto concordo. De fato, duvido que alguém se lembrará de quem raios é o Tarso daqui a uns seis meses, quando a próxima novela já estará acabando. Mas até aí, o que que tem? Cansei dessa mania de admirar somente as grandes artes - algo que concluí ao não achar tão bacana a peça "Vestido de Noiva", preferindo "Doce Deleite", que é uma parafernalha escrachada sem muitas pretensões (embora possua, lá no fundo, uma crítica digna). Novelas podem não ser uma expressão artística tão importante para aqueles que citam Godard, Guimarães Rosa e Chico Buarque, mas são bacanas por terem justamente um cunho mais popular. Não é a toa que personagens como a Norminha e o Abel caíram no gosto do povão.

Partindo disso, eu vi sim "Caminho das Índias". Não tudo, mas vi. Não caí em depressão como quando terminou "Da cor do pecado", mas me envolvi o suficiente para sair correndo da faculdade a fim de chegar a tempo em casa para assistir o capítulo final. E pirei com a pobre Maya, ri horrores com a atuação gélida da Vera Fischer, grande musa, e, principalmente, passei mal com a cena de Opash e Shankar (esse último, então, mal posso expressar). Assim como dancei com a família ao som da música de abertura, e aderi ao "arebabado".

Posso gostar de Spielberg, Scorsese e Tarantino, mas isso não significa que, por assistir novela e me envolver ocasionalmente com essas, sou uma dalit cinematográfica. Porque há vezes que um Scorsese pode não ser a solução do momento. O que você precisa é dar gritinhos de emoção com o encontro de Raj e Maya no Ganges.

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