quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

I'm a little bit Elenita


Na primeira semana de pay per view, uma discussão durante o café da tarde reinou: Puta que pariu, a Elenita é chata pra burro. A irmã mais velha queria votar para ela sair. A irmã do meio a defendeu ferrenhamente. A patroa disse que ela ainda estava tímida. E eu falei: "Ela é professora, doutora em linguistica. Gente de Letras eu conheço. E é todo mundo assim".

Então pensei em todos aqueles "colegas" com quem passei quatro perturbados anos. No meu Big Brother acadêmico, haviam alguns Cadus, Lias enrustidas, Marocas adoidado, e Fernandas demais para meu gosto. Mas todos tinham aquele quê de Elenita na primeira semana: pessoas que, por algum motivo, se mostravam superiores e faziam discursos tão envaidecidos que a única opção que eu tinha era sair da sala de aula e fumar um cigarro no corredor, a fim de evitar conflitos.

Mas naquela primeira festa, Elenita foi ignorada pelos demais. Ficamos enlouquecidas no mosaico procurando por Elenita. "Onde ela 'tá? Meu Deus, ela foi pra piscina! Alguém cuida dessa mulher, arriscado ela morrer e ninguém perceber!". E então ela retornou do paredão, e assim vimos além "daquela mina ali letrada". Dona Elenita citava grandes autores da Literatura, mas era tocar Rebolation que a bicha ia até o chão. Ela surtava e depois chorava no edredom. Observava com atenção, ficava perturbada, e soltava um "sei lá" para exemplificar sua completa confusão. Ainda assim, eu ainda não ia com a cara dela, por algum motivo.

No auge do pay per view, fui à uma festa de formatura na qual não me recordo, porque enchi a cara de tal forma que só não parei no hospital por milagre. No dia seguinte, a melhor-amiga me contou alguns dos disparates que cometi na noite anterior. Entre esses, ela disse: "Cecilia, você falou que era a Elenita".

E se até aquele momento eu a julgava, o meu insight-bêbado exaltou que, às vezes, ter antipatia por alguém é pura projeção. A Elenita era aquilo que fui por quatro anos na minha sala, a pessoa que aprendi a ser (não falarei aqui das semelhanças físicas, por favor). Alguém que tenta se afirmar constantemente, que fica chocada com o comportamento alheio, que sempre espera mais do ser humano. E que surta. Surta, vai até a porta e tenta escapar, sem sucesso - simplesmente porque não se pode sair andando assim.

Sou a rainha da fuga, e de tanto ser, já cansei de bater a cara na porta. No meu Big Brother particular, tento escapar de tudo que me aflige, acreditando que isso é melhor do que encarar as coisas de frente. Mas naquele dia em que dona Elenita tentou fazer o mesmo, minha reação foi tamanha (gritar para a televisão "nãããão, Lena! Fica, porra!") que foi impossível não ponderar: oras, eu faço isso sempre. E já está mais do que na hora de tentar algo diferente da fuga.

Se conseguirei fazer isso, são outros quinhentos. O que me conforta é que eu tenho várias Cacaus, que estarão prontas para correr e me impedir.

2 comentários:

Alexandre disse...

Elenita é aquela morena das tatuagens né? Perdo-me pq sou um ignorante em Big Brother, mas ela foi o único participante por quem tive uma certa empatia, acompanhando assim por cima, na miúda. rs

Anônimo disse...

Trate bem suas Cacaus, mesmo quando elas disserem o que você não quer ouvir. Porque se um dia elas cansam do bafão, fica mais difícil aguentar a pressão do confinamento... :P