domingo, 26 de dezembro de 2010

2010 In Review: Fujam para as colinas


Algo curioso ocorreu em 2010: se um filme foi sensacional, ele abalou todas as estruturas. Mas se foi ruim, rapaz... Segura. Antes de partir para o lado bom da moeda nessa humilde retrospectiva, vejamos alguns que, por algum motivo, nem alcançaram o meio termo:



* "Brilho de uma Paixão"

Devagar, devagar, quase parando, sono, puft. Nem o fantástico Ben Whishaw e a fofa Abbie Cornish salvaram "Bright Star" da monotonia. A rainha da lentidão Jane Campion ("O Piano", minha gente) acaba com o pobre John Keats, pois a coisa é tão chata que nem dá para ficar tocada com o romance dos pombinhos.



* "Aconteceu em Woodstock"

Mais uma boa história desperdiçada, dessa vez sobre como foi montado o clássico festival. Recheado de coadjuvantes que despertam alguma interesse (Liev Schreiber, 'tô falando contigo), a suposta comédia falha nas risadas graças ao seu protagonista, vivido por Henry Goodman sem um pingo de energia. Mas não se iluda: o filme também não emociona. Ou seja, duas horinhas de blé. Porra, Ang Lee.



* "Casa Comigo?"

Quando falei sobre "Caçador de Recompensas", exaltei que a química entre o casal de protagonistas de comédias românticas é essencial. Isso não ocorre aqui. O que poderia ser um passatempo simpático se torna uma bobagem, simplesmente porque Amy Adams e Matthew Goode não colam. E se ele faz um esforço - o cara sabe se posicionar no gênero -, ela já foi melhor; e Amy é uma daquelas atrizes que, num descuido, vai de talento nato para o completo aborrecimento. Uma curiosidade: A outra irmã cinéfila trabalhou como extra neste filme (tendo inclusive sua cena cortada, para a piada geral da família), e contou que os "uis" e "ais" de Amy fazem parte de sua personalidade. Em outras palavras, ela é mala assim mesmo. 'Tá explicado.



* "Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo"

Fail, fail, fail. Jake Gyllenhaal, vem cá com a tia e explica o que o levou a aceitar esse papel. Esqueceu de pagar a conta de luz? Quer comprar uma casa maior? Está devendo para um agiota? Apenas isso justifica como um ator de seu calibre se prestou ao embaraço de levar para as telas um filme sem o menor sentido, que sequer é um bom entretenimento. Só te perdôo porque as horas na academia foram bem aplicadas. Ah, importante frisar: Chega de Gemma Artenton.



* "Cherrybomb"

A fase Rupert Grint ofereceu o engraçadíssimo "Wild Target", mas também esse "Cherrybomb", que serve para relembrar o quanto adolescentes são um porre. A culpa não é de Robert Sheehan, bonitinho e talentoso mesmo que interprete o típico pirralho problemático, e tampouco de Rupert, que claramente escolheu o filme como um modo de mostrar uma faceta além de Rony Weasley (e é bem sucedido). Não, a culpa é do roteiro que se esforça em destruir qualquer traço de compaixão que pudesse surgir no público. Se valeu por algo, foi para me fazer olhar para Rupert sem me sentir uma velha pedófila suja.



* "Idas e Vindas do Amor"

Quis ser "Simplesmente Amor" e não conseguiu: essa foi a primeira frase que veio a mente ao término desse que é somente um veículo para cinco milhões de artistas, de Anne Hathaway a Taylor Swift (a moçoila mal aparece, mas é o bastante para irritar). Óbvio que, como sou mimimi eterna, foi impossível não ficar sensibilizada com a Jennifer Garner sendo enganada por Patrick Dempsey, ou com a Jessica Biel, responsável por ilustrar o quão terrível é o Dia dos Namorados para as solteironas. Entretanto, esses raros momentos não salvam a besteirada do restante. É capaz que funcione melhor num domingo de tédio, mas ouso dizer que até um programa sobre dinossauros da History Channel é mais interessante que essa bagunça.



* "Legião"

Paul Bettany, dirijo a você as mesmas questões que fiz anteriormente ao Príncipe Fail da Pérsia: o que raios aconteceu? Completamente perdido, Paul faz (à toa) das tripas coração para tornar esse desastre épico em algo que valha a pena. Se Jake ao menos teve seus músculos como atrativo, é tão vergonhoso ver o delicioso marido de Jennifer Connelly se submeter a tamanho ridículo que nem seu físico me distraiu o suficiente. E é melhor não comentar sobre o Dennis Quaid, coitado.



* "Comer Rezar Amar"

Dirigido por Ryan Murphy, a mente atrapalhada que criou "Glee", "Comer Rezar Amar" é melhor que o livro - simplesmente porque a "obra" de Elizabeth Gilbert é tão terrível que não há como afundar mais. Mulherzinha intragável e pretenciosa, é difícil ler os escritos dessa sujeita sem desejar que ela se jogue no Ganges, porém, Julia Roberts realiza o milagre de torná-la simpática - mais por causa de seu carisma natural do que pela personagem. Ainda assim, eu preferiria passar duas horas vendo os extremamentes pegáveis James Franco, Billy Crudup e Javier Bardem comendo uma macarronada na Itália do que ouvindo as lamúrias de Elizabeth.





Outros que é melhor correr: "Beyond The Pole", "Duplicidade", "Um Sonho Possível", "Eclipse", "Anticristo" (é bom, mas Lars Von Trier passou dos limites)

Um comentário:

Garota no hall disse...

Ah, eu gostei de Duplicidade (vi ano passado). Mas achei legal você relembrar os "esquecíveis" e comentá-los. "Ano bissexto" (ou "Casa comigo?", no Brasil) é o pior filme que vi lançado por aqui em 2010.