A rainha da negligência chega aos 45 minutos do segundo tempo para fazer uma retrospectiva de 2010 no Cinema. O blog ficou abandonado graças ao muitíssimo citado bloqueio criativo que dominou o ano, mas isso não significa que larguei meus filminhos - embora, admito, não tenha assistido tantos quanto gostaria e/ou costumava. Foram por volta de 80 filmes inéditos, começando por "Guerra ao Terror" até "Wild Target", e esse número há de aumentar até o dia 31 (alô Torrent). Como de praxe, não os conto pelo ano de produção; afinal, isso diminuiria consideralvemente a listinha, e eu quero pagar um pau.
Para essa singela "análise", separei os filmes em categoria: O sensacional, o bacana, e o "fujam para as colinas". Comecemos pelos bacanas, pois hoje estou fofa.
* "500 Dias Com Ela"
Consigo entender porquê tanta gente reverenciou a história de amor de Tom e Summer, porém, não enxerguei grandes diferenças entre esse e outros zilhões de títulos por aí. É uma graça? Sim. Mas para mim, valeu somente por dois motivos: o mini-momento musical, possivelmente uma das melhores cenas de morning after que já vi, e Joseph Gordon Levitt, esse lindo.
"Funny People" funciona tão melhor como drama que mal pode-se considerá-lo um filme de Judd Apatow, que sempre soube mesclar os gêneros. Se era essa a intenção, parabéns; se não, conte com Eric Bana para algumas risadinhas. Adam Sandler me surpreendeu, e espero que ele invista mais em papéis como esse em vez das comédias já desgatadas que costuma fazer.

* "Simplesmente Complicado"
Nancy Meyers é a deusa dos filmes para patroas - vide a adoração de minha mãe por esse que, a meu ver, é bacana e nada mais. Tudo bem, eu pago o que for para ver a Meryl Streep chapada dançando Beach Boys.
* "Nine"
Daniel Day Lewis e seu harém não é o melhor musical da história, mas também não é um lixo. Os números são bem executados, Daniel se entrega como o habitual (é ótimo vê-lo tão diferente de seus trabalhos anteriores), e há tanta mulher bonita arrasando no femme fatale que no final não sabia se queria ser elas ou se virei lésbica. E "Cinema Italiano", a melhor cena e um show de Kate Hudson, é fantástica para cantar no chuveiro.
* "O Mundo Imaginário do Dr Parnassus"
Também conhecido como "o último filme de Heath Ledger". Infelizmente, esse fato não sai da cabeça durante toda a projeção, ficando ainda pior cada vez que seu personagem entra no espelho da foto e aparecem Jude Law, Colin Farrell e Johnny Depp. Justiça seja feita, eles estão muito bem em suas versões, entretanto, todo mundo sabe a razão deles estarem lá. Uma tristeza enorme, principalmente porque Heath é a melhor parte de um filme mais-ou-menos.
Para uma comédia romântica funcionar, o primeiro passo é ter protagonistas com a boa e velha química; e rapaz, não falta química entre Jennifer Aniston e Gerard Butler. Aleluia, pois "Caçador" seria uma tortura se não houvesse um casal que obviamente se divertiu horrores às custas do roteiro capenga.
Um belo filme de Jim Sheridan, um enredo interessante, atuações fortes de Jake Gyllenhaal e Natalie Portman, Tobey Maguire abalando geral como há tempos não se via. Tudo para dar certo, mas faltou algo que até agora não consegui identificar.
* "Direito de Amar"
Dizem que em 2011 o Oscar é de Colin Firth, que poderia ter ganhado por esse filme caso Jeff Bridges não estivesse na disputa. E concordo. "A single man" é o que é graças a sua performance - e considerando que meses antes o mesmo Colin estava rebolando ao som de Abba, o merecimento é ainda maior.
* "Alice no País das Maravilhas"
Johnny Depp e Helena Bonham Carter. O resto a gente engole.
* "Garota Fantástica"
Favor ignorar o ridículo título brasileiro de "Whip It", a bacanérrima estréia na direção de Drew Barrymore. Engraçadinho, leve, Ellen Page no auge da fofura e Juliette Lewis kicking ass (como é bom revê-la!). Drew tem um caminho promissor pela frente.
* "Estão Todos Bem"
Se "Simplesmente Complicado" é filme para patroa, esse é filme para o patrão. Até consigo ver meu pai desabando em lágrimas e ligando para dizer "eu te amo" depois de ver Robert De Niro como um pai distante de seus filhos Sam Rockwell, Kate Beckinsale e a já citada Drew. Um verdadeiro desfile de clichês, incluindo o cenário natalino, "Everybody's Fine" está longe de ser uma obra-prima e um trabalho excepcional de De Niro, mas esse homem emociona mesmo que no piloto automático. Desnecessário apontar que quem quase fez a declaração de amor paterna foi eu.
* "Fúria de Titãs"
Não me importo do Sam Delícia Worthington ser o novo macho de ação, contanto que ele possua uma barba - o que não ocorre nesse filme divertido que não deve ser levado a sério. Na realidade, qualquer absurdo valeria a pena para ver Liam Neeson brilhoso e Ralph Fiennes adorando o uso da capa preta e sendo de novo um BAMF digno de nota. Apenas uma observação: por favor, não contratem mais a chata da Gemma Arterton para fazer a mocinha.
* "Zumbilândia"
Confesso que demorei para assistir "Zumbilândia" porque tenho medo de zumbis. Encaro vampiros, lobisomens, alienígenas, mas zumbis e a Cuca são pontos fracos. Após conferi-lo, prossigo temendo essas criaturas tenebrosas, mas o filme é tão legal que os relevo, uma vez que agora sei que para sobreviver ao apocalipse é necessário apenas ter o Woody Harrelson ao seu lado.
* "Wild Target"
Levada pela fase Rupert Grint, assisti a esse simpático exemplar britânico. Rupert continua a provar que é o mais versátil dentre as "crianças" de "Harry Potter", Bill Nighy continua engraçadíssimo, e Emily Blunt continua linda e com um sotaque invejável.
Outros bacanas: "Por Água Abaixo"; "Bolt - Supercão"; "Natureza Quase Humana"; "In The Loop"; "SWAT"; "Zoolander"; "Rede de Mentiras"; "Marujos do Amor"; "Hundtricket"; "Les Girls"; "Adventureland"; "A Ressaca"; "Minhas Mães e Meu Pai"; "O Mensageiro"; "World's Greatest Dad"; "Leaves of Grass"; "Driving Lessons".













Um comentário:
"A single man" (ai, ninguém merece aquele título horroroso no Brasil) é um dos meus favoritos de 2010. Já "Fúria de Titãs" tá lá no fim da lista. E, sim, também acho a Gemma uma chata irritante.
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