quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Top 10 Momentos de 2010


Digo e repito, 2010 não foi óh-meu-Deus que espetáculo, mas analisando melhor, foi um ano apropriado para o fechamento de uma década do capeta que marcou minha transição de menininha para mulherzinha. Porém, em meio a aparente quietude, surgiram alguns momentos que, de uma maneira ou de outra, trouxeram a consciência de que embora parte do trabalho esteja encaminhado, ainda há muito para se fazer. Cá estão:


10) O tiozão

Após um ano de frigidez e sem paciência alguma para machos, eis que um tiozão aparece nos 45 do segundo tempo. O sujeito em si foi rapidamente colocado na lista de coisas que prefiro esquecer, mas o acontecimento teve sua relevância: embora tenha a capacidade de ser a biscate que um dia já mostrou suas asinhas de modo mais light, eu não quero ser. O meu lado cisne negro vai até certo ponto, e caso ultrapassado, o cisne branco logo retorna com força total, reivindicando seu espaço - e quando isso ocorre, não é bacana para mim e para os envolvidos (coitado do tiozão). Passei tempo demais evitando ser mimimi, mas a dura verdade é que sou a rainha da categoria. E essa foi a prova final.


9) O rapaz

Aquele rapaz que atormentou a universidade calhou de fazer participação especial durante todo o ano via telefonemas em horários infâmes (9 da manhã, meu filho?). Sem jamais transparecer o real motivo por trás de suas ligações, eu já estava cansada de tentar compreendê-lo quando ele vira e fala "I love you" como se desse bom dia. Mas não foi uma declaração de amor - foi o modo que ele encontrou de dizer que se importa, algo que até então eu tinha minhas dúvidas. Só levou uns quatro anos, porém, foi o suficiente para me confortar. Parece pouco, mas essas três palavrinhas tiraram cinco mil pedras das minhas costas.


8) Festival Planeta Terra

Se ouvir "Tonight Tonight" do Smashing Pumpkins ao vivo foi um sonho que esperei por anos para realizar, pular no Skycoaster com a irmã e a melhor-amiga foi uma metáfora ambulante digna de nota. No entanto, o momento divino ocorreu quando escutei ao longe Phoenix iniciando seu show com "Lisztomania". Sem poder correr para o palco, uma luz apareceu sob a forma da ponte do Splash. Subi ali e dancei como se não houvesse amanhã. Não vi mais nada, não liguei para mais nada, e larguei naqueles passos todo um peso que nem sabia que existia.


7) Traduções

Ocupar-se com algo é bom. Assim, quando surgia uma tradução para realizar, era uma salvação. O aspecto intelectual não é exercitado da mesma forma que ocorria na faculdade, e ter uma maneira de trazê-lo à tona provou-se mais necessário do que imaginava. E o mais importante: é o único trabalho que me vejo fazendo com prazer, sendo um alívio enorme ver que o diploma realmente teve sua valia no lado profissional.


6) Guns 'n' Roses

Axl Rose gritou em meu ouvido "Welcome to the jungle", que virou o hino oficial de abertura da vida adulta pós-formada. Não tão otimista, mas é a realidade. E "Live and let die" duas vezes em questão de meses? Ok, Universo, eu entendi.


5) A velha terapeuta

Acordei um belo dia e liguei para a antiga terapeuta, que me acompanhou dos dezoito anos até o The Panic Syndrome Parte I. Voltei para ela com ressalvas, mas bastou duas sessões para reconhecer que ela é a ideal para o momento, não só por conhecer minha história desde o princípio, mas por ser aquela que mais entende o que está por trás das minhas neuroses.


4) O Plano Resgate

Como explicado anteriormente, este plano foi criado para ressuscitar traços de mim perdidos no período negro. Mal sabia eu que essa seria a melhor idéia ever. Dentre muitos benefícios - como retomar a coragem de outrora, com a diferença de saber usá-la na hora certa e sem despencar para o Alexander Supertramp way of life -, o Plano Resgate trouxe de volta aquele loving feeling pela vida e pela valorização de pequenos prazeres. Resumindo, o otimismo e a leveza.


3) The Swell Season

Posso ter chorado feito uma pata no presente de Deus que foi o show de Glen Hansard e Marketa Irglová, entretanto, não foram lágrimas de sofrimento. Se ainda havia qualquer apego por relacionamentos passados, esses foram exorcisados graças a duplinha destruidora. Me despedi da culpa e dos arrependimentos e fiquei apenas com as boas memórias. E sem querer querendo, dei boas vindas de coração aberto ao futuro.


2) Paul McCartney

O grande momento do ano. Poderia ser o show inteiro, mas dois momentos merecem destaque: "The long and winding road" e "Blackbird". Se por um lado enfim pude segurar a mão da patroa durante sua música preferida, tendo por meio do Macca passado para ela todo o amor e gratidão que sinto, por outro "Blackbird" foi o momento de dar o adeus simbólico ao núcleo familiar e aceitar a jornada solitária para qual me dirijo.


1) The ultimate decision

Venho sonhando em morar no exterior desde os doze anos, mas somente agora há a possibilidade de fazê-lo. O dinheiro está separado, a faculdade terminada, os pais avisados, os processos necessários caminhando na terapia. A decisão foi feita e está em plena forma, só me falta a passagem. Para onde não sei, mas seja lá onde for, estou mais preparada para isso do que nunca.



Pela primeira vez, encaro o dia 31 não como o início de algo, e sim uma continuação. O principal trabalho ocorreu ainda em 2010, a mudança de números é um detalhe. O ciclo já iniciou, o essencial já está em prática, basta agora um approach mais intensivo. Mas estou pronta. Bring it on.

E como estou um poço de graciosidade, um fofo 2011 para vocês, cambada.

4 comentários:

ART disse...

obrigado pelos comentários no blog... vc é sempre muito gentil... acho legal como me chama, "rapaz" ...
sim, eu sou um rapaz - rs... mas acho legal vc chamar assim ...
bjs e uma virada e tanto pra vc!

fabiana disse...

Blogar do exterior é coisa fina, moça!

Beijocas

Anna Carla Lourenço do Amaral disse...

Feliz tudo procê menina!

Aline Tolotti disse...

Voltei mujer! Ah, adoro seus "top 10"! Um lindo 2011 procê!
Também sinto uma certa "continuidade" de 2010, fechei o ano com algumas iniciativas boas, essenciais. Bom te ler. Voltarei! Beijos!